Um carro, dois veterinários – Ilaria Miraglia e Guilherme Oliveira – , Regy, Ravi e Eliana, indispensáveis. Uma caixa de medicamentos e instrumentos cirúrgicos e pouco mais de uma semana.
O objetivo era esterilizar e colocar microchips no maior número de cães possível, administrar antiparasitas e actualizar o inventário da população de cães da aldeia de Salamansa.
A princípio, fomos recebidos com alguma desconfiança por pessoas que tinham certo receio de confiar os seus cães aos forasteiros. Conversando com pessoas na aldeia, durante a campanha, soubemos que a Câmara Municipal passara por lá na semana anterior e levou cerca de 30 cães, que nunca mais voltaram… Depois de compreenderem que o objectivo da Si Ma Bô não era o mesmo, recebemos a colaboração de todos, especialmente das crianças, que entusiasticamente nos ajudaram a encontrar os cães e filhotes e os trouxeram para a nossa base de operações (o polidesportivo local).
Em pouco mais de uma semana foram esterilizados e microchipados 73 cães, aos quais foram ministrados antiparasitas e tratamento antibiótico após as cirurgias. Filhotes ainda não recenseados foram registados na base dados e receberam também medicação contra parasitas.
Tudo isso, é claro, gratuitamente. Graças à Si Ma Bô, os habitantes de Salamansa vão agora poder defender os seus cães e evitar que sejam levados embora, porque agora são microchipados, sabe-se que não são vadios. O problema da superpopulação encontra-se, pelo menos por agora, muito menor, assim como as suas consequências, como a competição por alimento, a propagação de doenças etc.
Indescritível a satisfacção… e a fadiga no final do dia, ao participar neste projecto que reflecte perfeitamente a ideia que eu sempre tive de ser veterinária.
Si Ma Bô (que significa “como você” em crioulo) é uma ONG que nasceu na ilha de São Vicente, onde as pessoas têm uma relação de amor genuíno com os cães e onde, infelizmente, não há serviços veterinários que tratem da sua esterilização. O resultado é a superpopulação canina com todos os problemas que resultam daí. E a política adoptada pela Câmara Municipal é o extermínio dos cães com estricnina!
Foi mesmo para compensar esse problema que nasceu uma associação que, graças ao trabalho da fundadora, Silvia Punzo, pessoal local, o veterinário cabo-verdiano Guilherme Oliveira e voluntários portugueses e italianos (veterinários e não veterinários), está tentando mudar para melhor a vida de cães e seus donos na ilha. Contudo, a União Europeia, que até agora tem apoiado a associação com subsídios, anunciou que deixará de conceder fundos para a Si Ma Bôse não tiver certeza de que os cães castrados não são mortos. Certeza que depende da Câmara Municipal de S. Vicente, que não tem sido verdadeiramente colaborativa.
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